Forever Young
Forever Young (Divulgação)

Como você estará em 2050? Esta é a pergunta que move Forever Young, musical em cartaz há três anos em São Paulo com eventuais apresentações por todo o Brasil. Dirigido por Jarbas Homem de Melo, sob versão de Henrique Benjamin, o espetáculo pensado pelo suíço Erik Gedeon é uma ode ao ofício artístico, além de tratar com bom humor temas geralmente vistos como tabus, entre eles – e principalmente – o envelhecimento. 

Em cartaz até 30 de maio no Teatro Folha, dentro do shopping Higienópolis, em São Paulo, o espetáculo, que já viu nomes estelares como Claudia Ohana, Carmo Dalla Vecchia, Marcos Tumura e Vanessa Gerbelli passarem pelo seu elenco, encontra uma ótima seleção de novos atores para a temporada que teve início em março deste ano de 2019, no Teatro Raul Cortez, também em São Paulo.

Entrelaçada por alguns clássicos do rock mundial, o texto de Gedeon ganha força por sua despretensão debochada ao imaginar uma trupe de atores em um asilo criando estratégias para tomar o poder e voltar a ativa. 

Capitaneado por um carismático Tom Prado, o grupo de seis atores (se) diverte em cena. Prado cria um líder que abusa de uma comicidade insuspeita, que cresce quando o ator encontra sua colega direta de cena, a atriz Renata Ricci. Formando um (bonito) casal, a dupla Prado e Ricci conseguem um bom desempenho baseado em uma interpretação focada no olhar e nas sutilezas das personagens. 

Quem melhor executa a proposta é Ricci que, na pele de uma ex-diva emociona com uma construção delicada, repleta de nuances que chegam a tocar pelo trabalho corporal e o peso dramático que empresa a sua personagem. Boa atriz, Ricci angaria em Forever Young um de seus melhores desempenhos em cena.

Na pele de uma ex-roqueira desvairada e mal humorada, Janaina Bianchi também triunfa ao apostar em um humor de tom dúbio, que, mesmo quando ameaça dar sinais de desgaste, encontra na (safa) intérprete uma forma de fazer rir. O mesmo se pode dizer de Will Anderson, bom ator que encontra no espetáculo uma forma de testar novas formas de humor através do corpo e do olhar, mostrando versatilidade frente a seus outros trabalhos no teatro musical. 

Fernando Catão, na pele de um hippie tardio, também rende bons momentos embora renda menos que seus colegas. Ciceroneados por Marya Bravo, na pele de uma mórbida enfermeira, o elenco encontra unidade, principalmente nos (bons) números musicais, que destacam temas como “I Love Rock and Roll”, “Smells Like teen Spirit”, “I Will Survive” e “I Got you Babe”, além de encontrar certa graça em temas do cancioneiro brasileiro que, embora destoem da proposta, não empanam o brilho da obra. 

Quem consegue destaque também é a figura de Fernando Zuben, na pele do maestro e pianista que arranca gargalhadas pouco óbvias de um público que, ao longo de (excessivas) uma hora e meia se deixa cativar pela despretensão debochada de Forever Young, comédia que, com o atual elenco, ganha ainda elementos de sutileza e delicadeza, que fazem a obra dirigida por Jarbas Homem de Melo e versionada por Henrique Benjamin crescer para além do ofício de fazer rir.

SERVIÇO: 
Forever Young 
Data: 04 de abril a 30 de maio (quartas e quintas) 
Local: Teatro Folha – São Paulo (SP) 
Endereço: Avenida Higienópolis, 618 – Higienópolis 
Horário: 21h 
Preço do ingresso: R$ 60,00 (setor B); R$ 70,00 (setor A)