Frida Kahlo - Viva la Vida | Foto: Lenise Pinheiro
Frida Kahlo - Viva la Vida | Foto: Lenise Pinheiro

A pintora mexicana Frida Kahlo (1907-1954) se tornou um dos ícones da cultura pop de presença mais intensa no teatro ao longo dos últimos anos. Uma série de monólogos focou na vida sofrida da artista partindo de pontos como sua obra (Frida Kahlo à Revolução), seus problemas de saúde e vícios (Frida Kahlo – A Deusa Tehuana) e, mais recentemente, sua relação com o também pintor Diego Rivera (no duo Frida Y Diego).

Em cartaz no Auditório do Sesc Pinheiros até o dia 14 de dezembro, sábado, o solo Frida Kahlo – Viva la Vida enfoca sua biografia, como o título faz presumir, a partir de sua alegria e ânsia com a vida. 

Assinado pelo dramaturgo mexicano Humberto Robles, o texto narra um dia na vida de Kahlo, á perto da morte, que escolhe festejar a clássica efeméride mexicana dedicada aos mortos. A partir daí, a artista relembra amigos, passagens da vida e personalidades, além de fazer uma análise minuciosa sobre sua relação com Diego Rivera.

Robles constrói a dramaturgia numa espécie delírio da artista que, desenganada, e sofrendo com fortes dores, conversa com os mortos e consigo mesma. Os diálogos resultam menos envolventes do que a premissa do espetáculo faz supor. O texto é baseado em imagens de viagens e diálogos de Frida que parecem mais pueris do que a encenação deixa transparecer.

Dando continuidade à parceria iniciada com o dramaturgo há um ano, com a encenação de Nem Princesas, Nem Escravas, Cacá Rosset dirige o espetáculo com a ironia e o caráter festivo característicos do trabalho do grupo Ornitorrinco. O diretor compreende que, a despeito das marcas (seguidas a risca), o espetáculo é construído basicamente pela figura de Kahlo e a relação de sua intérprete com a obra.

E poucas foram as profissionais a viver uma personagem de tamanho impacto quanto a pintora mexicana como Christiane Tricerri. A atriz compreende o caráter de quase desespero da personagem ao construí-la numa felicidade que poderia soar exagerada, não fosse Tricerri a intérprete safa que é.

Embora recorra a registro que ameaça fugir do tom, a atriz conquista o público mesmo quando narra as passagens mais dramáticas da vida de Kahlo, em passagens construídas no tempo da delicadeza. Consciente da cumplicidade com o público, Tricerri domina bom número de plateia tirando graça de passagens não necessariamente cômicas.

A direção de Rosset se faz presente e mais afinada ao promover diálogo entre a intérprete e o ótimo cenário concebido por José de Anchieta (ano) e executado pelo multiartista Kleber Montanheiro, e a (boa) luz assinada por Aline Santini, construindo o quadro perfeito da felicidade melancólica de Frida Kahlo, personagem mais complexa do que o texto de Robles deixa transparecer, mas bem defendida em cena pela simbiótica parceria de Tricerri e Rosset, dupla que segue mostrando que o Ornitorrinco ainda sabe dar as cartas do teatro paulistano.

SERVIÇO:

Data: 21 de novembro a 14 de dezembro (quarta-feira a sábado)

Local: Auditório do Sesc Pinheiros – São Paulo (SP)

Endereço: Rua Paes Leme, 195 – Pinheiros 

Horário: 20h30

Preço do ingresso: R$ 15,00 (meia) a R$ 30,00 (inteira)