Jose Wilker | Foto: Divulgacao
Jose Wilker | Foto: Divulgacao

Se não tivesse saído prematuramente de cena, aos 69 anos de idade, em 2014, o ator, diretor e dramaturgo cearense José Wilker comemoraria no dia de hoje, 20, 75 anos de vida e, neste ano de 2019, 54 anos de carreira. Tendo no currículo o peso de ter ajudado a pavimentar e revolucionar os caminhos do cinema brasileiro, Wilker também teve contribuição inestimável para o teatro tupiniquim.

O ator foi um dos responsáveis por popularizar obras do dramaturgo inglês William Shakespeare, além de enfrentar montagens de títulos indigestos de nomes como Edward Albee e Harold Pinter, defendendo com garra a obra destes e de outros nomes que se tornariam naturais do teatro nacional.

É, portanto, sintomático que seu aniversário de 75 anos seja relembrado justamente no teatro. Como anunciado pelo Observatório do Teatro na tarde de ontem, 19, um grupo de atores e amigos de Wilker celebrarão seu legado com a leitura dramática de A China é Azul, peça na qual se aventurou como um autor de reais pretensões dramatúrgicas.

O ator também foi responsável por pavimentar a carreira de outros colegas. A pedido da reportagem, o ator, autor e diretor Eduardo Martini narrou a importância de Wilker para que assinasse sua primeira direção no teatro, em Cinderela, adaptação do próprio Wilker para o clássico conto homônimo francês de Charles Perrault, publicado em 1697.

Eduardo Martini | Foto: Divulgação
Eduardo Martini | Foto: Divulgação

“O Zé tinha esse programa feito para a Manchete com a Luciana Braga. Eu adorei, peguei o texto da TV e adaptei para o teatro e mandei para ele, que deu uma lida e adaptou algumas coisas. Ele gostou tanto que quando fui dirigir, ele produziu, e me ajudou muito com isso. Juntos, fizems o primeiro grande sucesso do Teatro Clara Nunes em 1990. No elenco, tínhamos Totia Meirelles, Bia Montez, Ângela Rabello, Rubem Gabira, muita gente bacana. Eu dirigi e fiz as coreografias e fomos indicados a prêmios de melhor produção, Totia foi indicada a prêmios de melhor atriz e eu fui indicado a prêmios de coreografia. O sucesso foi tão grande que ficamos um ano e dois meses em cartaz. Então ele é o responsável, com uma generosidade fodida, sem questionar nada, por eu dirigir pela primeira vez, e um texto que fiz por mais de 15 anos. O Zé tem uma importância na minha vida absurda, um cara engraçado, divertido, debochado e um puta de um ator. Para mim, o Jack Nicholson copiou ele”.

Cinderela | Foto: Acervo Centro Brasileiro de Teatro para a Infância e Juventude
Cinderela | Foto: Acervo Centro Brasileiro de Teatro para a Infância e Juventude