Maria do Caritó | Foto: Divulgação
Maria do Caritó | Foto: Divulgação

No Dia Internacional do Teatro, o Observatório do Teatro seleciona vinte títulos da fusão entre cinema e teatro.

Filmes como o recém-anunciado O Mágico Di Ó, baseado na peça homônima de Vitor Rocha e a possível adaptação de Fulaninha e Dona Coisa, de Noemi Marinho não entraram na lista por ainda não terem sido lançados.

Confira abaixo nossa seleção:

1- Maria do Caritó

O texto de Newton Moreno sobre uma solteirona às vésperas dos 50 anos que, prometida por seu pai ao fictício São Djalminha, vive entre promessas e simpatias para encontrar um amor. Seus ânimos são renovados com a chegada do circo a cidade, visto que, pela previsão de uma cartomante, Maria só encontraria seu amor em um homem que viesse de fora. A peça, montada em 2012, acaba de ganhar uma versão cinematográfica dirigida por João Paulo Jabour e estrelada – tal qual na versão para os palcos – por Lília Cabral. O filme está em cartaz.

2- Greta

Tomando como base a peça Greta Garbo quem Diria Acabou no Irajá, de Fernando Melo, o filme narra a história de Pedro, um enfermeiro de 70 anos apaixonado pela estrela de cinema Greta Garbo. Quando sua melhor amiga, Daniela, precisa ser internada e não encontra um leito disponível, Pedro sequestra um paciente recém-chegado e o leva para sua casa. Aí começa a relação com o jovem no filme dirigido por Armando Praça e que segue em exibição nos cinemas brasileiros. A personagem principal, no teatro, foi vivida originalmente por Raul Cortez.

3- Minha Mãe é uma Peça

Um dos maiores sucessos cinematográficos da década, a (por hora) trilogia Minha Mãe é uma Peça toma como base a peça homônima de Paulo Gustavo dirigida por João Fonseca em 2006. O primeiro filme da franquia, lançado em 2013 transformou o ator em uma super estrela, e abriu as portas para a filmagem de Minha Mãe é uma Peça 2 (2016) e Minha Mãe é uma Peça 3, com lançamento agendado para 26 de dezembro.

4- Judy Garland – The End of The Rainbow

O dramaturgo norte americano Peter Quilter escreveu um musical baseado nos últimos dias de vida da estrela norte americana Judy Garland, enquanto fazia uma temporada de shows na casa Talk of the Town, em Londres, na Inglaterra. A peça, que rendeu um Tony a atriz Tracie Bennett, chegou ao Brasil em 2011, sob a direção da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho, e protagonizado por Cláudia Netto. No filme, Renée Zellweger dá vida a Garland numa performance que, garantem os críticos, podem lhe render seu segundo Oscar. Esta, inclusive, é a segunda peça de Quilter a chegar aos cinemas após passar pelo Brasil. Em 2016, o filme Florence Foster Jenkins chegava aos cinemas protagonizado por Meryl Streep sete anos após chegar ao Brasil, também sob a direção de Möeller & Botelho e estrelado pela gloriosa Marília Pêra (1943 – 2015)

5- Cats

O clássico musical de Andrew Lloyd Webber baseado nos poemas de T.S Elliot está há 38 anos em cartaz no West End  e abocanhou sete estatuetas do Tony em sua estreia na Broadway, em 1982. Narrando a história de um grupo de gatos que, uma vez por ano, se encontra para, através do líder, decidir qual gato irá para um lugar melhor, o espetáculo conta com uma das músicas mais icônicas do songbook inglês, a doída Memory, e ganhou versão brasileira em 2010, com versões assinadas por Toquinho e protagonizada por Paula Lima. O musical acaba de ganhar sua primeira versão cinematográfica, com um elenco que conta com nomes como James Corden, Judi Dench e Taylor Swift.

6- Escola do Rock

Fazendo o caminho inverso dos outros títulos desta lista, Escola do Rock é um filme que se tornou musical. Também assinado por Andrew Lloyd Webber, o espetáculo baseado na obra de 2004, estreou em 2015 na Broadway, e está em cartaz em São Paulo, no Teatro Santander, com nomes como Cleto Baccic, Sara Sarres, Thaís Piza e Arthur Berges liderando um elenco de crianças cantoras e instrumentistas.

7- Doze Homens e uma Sentença

Também tomando como base um filme clássico, este de 1950, o espetáculo é um dos maiores sucessos do grupo Tapa visto por mais de 500 mil pessoas e há 10 anos em cartaz, a peça segue em temporada neste ano de 2019 no Teatro Aliança Francesa, na Vila Buarque, em São Paulo. No elenco, nomes como Norival Rizzo e Genésio de Barros interpretam um grupo de homens que precisam dar uma sentença em um tribunal e, para isso, se mantêm presos numa sala para que tomem a decisão.

8- O Beijo no Asfalto

Um dos melhores títulos da obra seminal de Nelson Rodrigues, O Beijo no Asfalto foi montado originalmente em 1960 graças a uma encomenda de, claro, Fernanda Montenegro, que assumiu a produção do espetáculo ao lado de seus companheiros do Teatro dos Sete. A primeira versão cinematográfica da tragédia de Rodrigues foi lançada em 1981 sob a direção de Bruno Barreto e com Tarcísio Meira e Ney Latorraca nos papéis principais. Já em 2018, uma nova versão, dirigida por Murilo Benício conta com Lázaro Ramos, Arlindo Lopes, Débora Falabella, Stênio Garcia e Fernanda Montenegro. Estreia em São Paulo no dia 20 de novembro uma nova versão da peça, com a direção de Bruno Perillo.

9- August Osage County

Espetáculo que deu um Tony ao dramaturgo e ator Tracy Letts, a obra chegou aos cinemas em 2013, protagonizado por Meryl Streep e Julia Roberts. A obra chegou ao Brasil em 2018 com o título de Agosto, protagonizado por Letícia Isnard e Guida Vianna numa montagem que arrancou elogios unânimes da crítica e uma série de prêmios por onde passou. Sob a direção de André Paes Leme, o espetáculo segue em cartaz em suas últimas semanas no Rio de Janeiro, no Teatro Petra Gold.

10- Chicago

Musical americano há mais tempo em cartaz na Broadway, Chicago se tornou um dos espetáculos mais icônicos do teatro musical ao redor do mundo. Unindo uma trama de traição, sordidez e ambição a algumas das melhores canções compostas pela dupla John Kander & Fred Ebb, e às coreografias icônicas de Bob Fosse, o espetáculo estreou em 1975 na Broadway e ganhou um revival em 1996, ainda hoje em cartaz. Na pele das dançarinas criminosas Roxie Hart e Velma Kelly já passaram nomes como Gwen Verdon e Chita Rivera, Ann Reinking e Bebe Neuwirth, Ruthie Henshall e Ute Lemper, entre outros grandes nomes internacionais. O espetáculo chegou às telas de cinema em 2002 sob a direção de Rob Marshall, abocanhando um Oscar de Melhor Filme. As atrizes Renée Zellweger e Catherine Zeta-Jones assumiram os papéis principais e Zeta-Jones conseguiu seu primeiro Oscar. No Brasil, o espetáculo foi montado originalmente em 2004, com Adriana Garambone e Danielle Winits nos papéis principais. Uma nova versão chegará ao Brasil em 2020, tendo Emanuelle Araújo na pele de Velma Kelly.

11- Rasga Coração

Baseado na peça homônima de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, o filme de Jorge Furtado, lançado em 2018 com Marco Ricca, Drica Moraes e Chay Suede, narra a história de um pai que, passados seus anos de resistência contra a ditadura, não se adapta bem a vida nada convencional que seu filho quer levar. A peça foi a última escrita por Vianinha, antes de morrer em 1974, aos 38 anos, vitimado por um câncer.

12- Divã

Best-seller da cronista gaúcha Martha Medeiros, Divã virou peça estrelada por Lilia Cabral em 2005, e filme, também estrelado pela atriz em 2009. A obra narra a vida de Mercedes que, após se separar, começa um processo de terapia e passa a viver a vida de forma mais leve. O espetáculo levou mais de 200 mil pessoas às salas de espetáculo e quase 2 milhões de pessoas às salas de cinema.

13- Infância

Diretor e dramaturgo que sempre fez de suas peças roteiros cinematográficos, Domingos Oliveira conseguiu, em Infância, um de seus melhores trabalhos como roteirista. Adaptando para as telas o espetáculo Do Fundo do Lago Escuro, montado anteriormente pelo grupo Tapa em 1997 (e protagonizado por Beatriz Segall), e 2010 com o próprio autor dividindo a cena com nomes como Paulo Betti e Priscilla Rozenbaum. O filme chegou às telas em 2014, com Fernanda Montenegro no papel de Dona Mocinha, vivida em cena por Segall e Oliveira.

14- O Auto da Compadecida

A peça de Ariano Suassuna foi encenada originalmente em 1956 e ganhou inúmeras montagens antes de virar filme, protagonizado por nomes como Matheus Nachtergaele, Selton Mello, Denise Fraga, Diogo Vilela, Marco Nanini, Luís Mello e, claro, Fernanda Montenegro, no papel de Aparecida. Em 2000 se tornou o filme brasileiro de maior bilheteria do ano, com mais de dois milhões de espectadores. Uma nova versão da peça foi encenada em São Paulo neste ano de 2019, sob a direção de Gabriel Vilela.

15- O Beijo da Mulher Aranha

O filme dirigido por Hector Babenco (ano) deu um Oscar a William Hurt em 1986, e ganhou uma versão musical no West End, em Londres, em 1992 e na Broadway em 1993. Chita Rivera assumiu o papel que, no filme, foi de Sônia Braga. A atriz veterana venceu um Prêmio Tony pela performance, e o espetáculo conta com canções de John Kander e Fred Ebb e direção de Rob Marshall. Uma versão brasileira chegou ao Brasil em 2001, protagonizado por Miguel Falabella, Tuca Andrada e Cláudia Raia no papel que foi de Braga e Rivera.

16- Evita

Terceiro musical de Andrew Lloyd Webber desta lista, o espetáculo é considerado o melhor trabalho do compositor de O Fantasma da Ópera e é baseado na vida da ex-primeira dama da Argentina Eva Perón. A primeira montagem, em Londres, estreou em 1978, e a versão americana, na Broadway, em 1979 rendeu um Prêmio Tony a Patti LuPone. O espetáculo virou filme em 1996 numa controvertida versão de Alan Parker estrelando Madonna, Antonio Banderas e Jonathan Pryce. No Brasil, o espetáculo foi montado originalmente em 1983, com a cantora Claudya no papel de Eva Perón, e em 2011 com Paula Capovilla como a ex-primeira dama argentina.

17- Gata em Teto de Zinco Quente

Um dos títulos mais clássicos da obra do dramaturgo norte americano Tennessee Williams, a peça foi montada originalmente em 1955 nos Estados Unidos com Barbara Bel Geddes no papel da gata Maggie. Em 1958, um filme com Elizabeth Taylor e Paul Newman chegou as telas, imortalizando o clássico texto de Williams. No Brasil, a primeira versão chegou aos palcos em 1956, um ano após a montagem original nos Estados Unidos, com Cacilda Becker no papel de Maggie. Em 1998, coube a Vera Fischer o papel que fora de Elizabeth Taylor e que, em 2016, foi de Bárbara Paz numa montagem produzida pelo Grupo Tapa e dirigida por Eduardo Tolentino.

18- Quem tem Medo de Virginia Woolf

Obra seminal do dramaturgo norte americano Edward Albee, a peça teve sua primeira montagem na Broadway em 1962  foi adaptado para as telas em 1966, estrelando, mais uma vez, Elizabeth Taylor e seu principal parceiro Richard Burton. No Brasil, também pelas mãos de Cacilda Becker, a primeira versão do texto de Albee estreou em 1965, estrelado pela atriz ao lado de Walmor Chagas, Fúlvio Stefanini e Lílian Lemmertz. Em 1978 foi a vez de Tônia Carrero e Raul Cortez darem vida ao casal Martha e George, que seria vivido, em 2014, por Zezé Polessa e Daniel Dantas. Há uma montagem agendada para 2020 que, especula-se, pode vir a contar com Marisa Orth no papel de Martha. Quem viver…

19- A Gaiola das Loucas

Baseado na peça original do dramaturgo francês Jean Poiret, La Cage Aux Folles, o filme original, de 1978, narra a história de um casal que agenda um jantar para que seus pais se conheçam. O único problema é que o pai do noivo não apenas é dono de um cabaré francês como também é casado com a estrela da casa, um travesti chamado Zazá. O vaudeville se constrói justamente na tensão entre os pais do noivo e a iminência de conhecer os pais da noiva, duas figuras conservadoras do interior do Estado. Tomando como base a peça de Poiret, um musical foi produzido na Broadway em 1972. Um remake do filme foi lançado em 1996, com Robbie Williams e Nathan Lane como o casal George e Zazá. No Brasil, a peça foi montado originalmente em 1995, com Jorge Dória e Carvalhinho como George e Zazá, enquanto o musical só chegou mesmo em 2010, protagonizado por Miguel Falabella e Diogo Vilela. A versão musical nunca foi levada ao cinema.

20- Eles não Usam Black-Tie

Encenada originalmente em 1958, a peça de Gianfrancesco Guarnieri se tornou um dos maiores clássicos do teatro nacional, e chegou ao cinema em 1981, com Fernanda Montenegro e Guarnieri nos papéis de Romana e Otávio, sob a direção de Leon Hirszman. O filme levou um Leão de Prata no Festival de Veneza no ano de lançamento. A última montagem do texto aconteceu em São Paulo, em 2018, sob a direção de Dan Rosseto, com Paloma Bernardi, Teca Pereira e Kiko Pissolato no elenco.