Marcos Mion e o filho Romeo | Foto: Divulgação
Marcos Mion e o filho Romeo | Foto: Divulgação

Uma das manchetes mais compartilhadas na última semana foi a estreia de Romeu, o filho mais velho do apresentador e ator Marcos Mion, nos palcos. O jovem, portador da síndrome de autismo, subiu ao palco do Teatro Alfa para uma performance de dança e sapateado ao som do clássico Singing in the Rain, tema-título do filme Cantando na Chuva, que gerou o musical homônimo, e chegou ao Brasil em 2018 sob a produção de Cláudia Raia, e protagonizado por Jarbas Homem de Mello.

No vídeo compartilhado por Mion nas redes sociais, o jovem de 13 anos de idade dança acompanhado de sua professora, vencendo um bloqueio que o impediu de, ao longo dos anos escolares, participar das atividades extracurriculares que incluíam apresentações em público.

“Quando Romeo era pequeno, durante as apresentações da escola, eu ficava com ele no segundo andar olhando pela fresta da janela as crianças se apresentarem na quadra. Abraçava ele, que tremia de tanto pavor que sentia em se apresentar, apesar de sentir que, por dentro, ele tinha muita vontade. Corta para quase 10 anos depois e ali está ele subindo no palco de um dos maiores teatros de SP, o Teatro Alfa, lotado de gente que ele não conhece, para se apresentar SOZINHO!”, escreveu Mion no post que viralizou nas redes sociais.

.Quando Romeo era pequeno, durante as apresentações da escola, eu ficava com ele no segundo andar olhando pela fresta da janela as crianças se apresentarem na quadra. Abraçava ele, que tremia de tanto pavor que sentia em se apresentar, apesar de sentir que, por dentro, ele tinha muita vontade..Corta para quase 10 anos depois e ali está ele subindo no palco de um dos maiores teatros de SP, o Teatro Alfa, lotado de gente que ele não conhece, para se apresentar SOZINHO! Com a Mari, sua professora de dança, claro!.Isso só foi possível graças ao trabalho e dedicação desses 10 anos. De toda nossa família e dos profissionais que trabalham com Romeo..Se seu filho autista tem uma vontade, um interesse, um hiperfoco, apoie ele. Na verdade esse conselho não é apenas para pais de autistas, mas sei de muitos pais que cortam o hiperfoco por “não aguentarem mais meu filho só falando disso, só assistindo isso”! Nunca esqueçam que foi graças a esse pensamento em algoritmos e o super poder do hiperfoco que nossa tecnologia evoluiu tanto. .Lembro de uma história sobre um menino que tinha hiperfoco em aspirador de pó. Sabia tudo sobre todos modelos. Pode parecer, para os desavisados, um interesse banal ou inútil, mas ele, dentro dessa indústria, pode ser uma peça MUITO valiosa. Pode ser responsável por uma evolução ou reviravolta, de um eletrodoméstico que todo mundo usa, por pensar nisso mais que qq outra pessoa..Resumindo: autismo não é doença, é uma forma diferente de funcionamento, e o que faz alguém diferente é o que lhe faz bonito!Autismo não é incapacidade, pelo contrário, se conseguir trabalhar nas terapias e fazer o autista se desenvolver, ele pode ser uma luz, uma inspiração, uma benção para milhares de pessoas..Romeo, meu anjo, se não fosse por vc…se não fosse por vc…eu não sei o que seria de mim como ser humano, como homem, como pai. Única certeza que tenho é que quero honrar sua escolha de ter me escolhido pra ser seu pai, perante a permissão de Deus. Gosto de acreditar que todos pais que recebem crianças especiais são escolhidos. Pelo anjo. Por Deus..#autismo #autism #autismawareness

Posted by Marcos Mion on Sunday, December 1, 2019

A estreia de Romeu em cena reacendeu a discussão acerca da representatividade de pessoas portadoras da síndrome do autismo nas artes cênicas, e levou a lembrança de espetáculos com personagens com estas características, mas interpretados por pessoas não-portadoras da síndrome. Confira abaixo a lista de cinco espetáculos que retratam o tema:

1- O Som e a Sílaba

Musical escrito e dirigido por Miguel Falabella para Alessandra Maestrini, O Som e a Sílaba narra a trajetória de uma jovem savant do canto lírico que deseja ter aulas com uma famosa professora (papel de Mirna Rubim) e construir uma carreira na área. Considerado um dos melhores espetáculos de 2017, a obra contou com o total apoio de órgãos ligados aos direitos de pessoas com autismo e síndrome de asperger. O espetáculo era recheado árias famosas, como Oh Mio Babbino Caro e Casta Diva.

2- Rain Man

Baseado no filme homônimo, a peça Rain Man chegou ao Brasil em 2008, com elenco encabeçado por Fernanda Paes Leme, Rafael Infante e Marcelo Serrado, que deu vida a Raymond, papel imortalizado no cinema por Dustin Hoffman. A personagem é portadora da síndrome do autismo e busca construir uma relação harmoniosa com seu irmão, um egocêntrico vendedor de carros vivido por Infante. Sob a direção de José Wilker (1944 – 2014), o espetáculo teve críticas mistas e, a despeito do bom desempenho de Serrado na pele de Ray, a peça recebeu críticas pelo caráter maniqueísta que moldou suas personagens.

3- Cachorro Morto

Elogiado espetáculo da paulistana Cia. Hiato montado em 2008, a peça é livremente inspirada em The Curious Incident of the Dog in the Night-Time, texto baseado no best-seller do romancista inglês Mark Haddon. A obra põe em cena um rapaz com a síndrome de Asperger que se envolve com a morte do cachorro de sua vizinha. A obra também recebeu boas críticas em sua estreia, mas chegou a movimentar as redes sociais quando compôs a mostra comemorativa da companhia em fevereiro de 2019 ao revezar o papel do protagonista entre os componentes da Cia. Nenhum portador da síndrome.

4- O Estranho Caso do Cachorro Morto

06.04.13 O estranho caso do cachorro morto, pea de Moacyr Goes. Foto: Cezar Moraes

Versão brasileira e literal do supracitado The Curious Incident of the Dog in the Night-Time, a peça cumpriu temporada no Rio de Janeiro em 2014, sob a direção de Moacyr Góes. Protagonizado por Thelmo Fernandes, Rafael Canedo e Silvia Buarque, o espetáculo ganhou montagem no Rio de Janeiro e críticas mistas. Canedo interpretava o jovem Cristopher Boone, que é encontrado imóvel ao lado do cachorro morto da vizinha, e acaba sendo acusado do crime. 

5- Ponto Morto

Com texto assinado por Hélio Sussekind, o espetáculo narra a difícil relação entre um pai septuagenário e um filho com a síndrome do autismo. A peça retrata a constante tentativa da dupla de construir uma relação de afeto. O elenco era formado por Luciano Chirolli e Marat Descartes.