Roberto Alvim | Foto: Divulgação
Roberto Alvim | Foto: Divulgação

Diretor e dramaturgo que ao longo dos anos 2000 construiu nome de prestígio no cenário teatral, Roberto Alvim teve ao longo da década uma ascensão para além dos fãs que angariou com as produções de seu Club Noir, a companhia fundada em 2006 ao lado da atriz e diretora Juliana Galdino.

Chamando a atenção de intérpretes conhecidos da televisão, e com prestígio frente à crítica, Alvim construiu bem-sucedida parceria com o ator Caco Ciocler em três encenações incensadas: 45 Minutos (2011), A Construção (2012) e Caesar – Como Construir um Império (2015), e levou Nathália Timberg a um renascimento teatral com a encenação de Tríptico Samuel Beckett (2014).

Com a encenação de Fantasmas (2015), Alvim não só se safou do iminente fechamento de seu Club Noir, como também preparou o campo para a montagem de Leite Derramado (2016), adaptação do livro de Chico Buarque de Hollanda lançado em 2009 e vencedor do Prêmio Jabuti.

Unânime entre crítica e sucesso absoluto de público, Leite Derramado se tornou o espetáculo de maior êxito da carreira do diretor e a consagração de Juliana Galdino naquele que se tornou um dos maiores e melhores desempenhos de uma atriz na década. Alvim se tornara então um dos grandes titãs da direção teatral, comparável pela crítica especializada a nomes como Antunes Filho e Zé Celso Martinez Corrêa, que na época também aplaudiram a encenação.

Sua prova de fogo foi justamente no ano seguinte, em 2017, quando encenou Kiev, texto do dramaturgo uruguaio Sergio Blanco sobre os desdobramentos da Revolução Russa, em que não apenas conseguiu uma segunda consagração unânime da crítica, como manteve o sucesso de público, lotando com antecedência todas as sessões da temporada no Sesc Ipiranga.

Kiev foi o último trabalho de Alvim antes do diretor declarar apoio ao então pré-candidato a presidência da República Jair Messias Bolsonaro. Em 2018, o diretor pôs em cena Fedra, de Jean Racine, espetáculo feito em tributo à própria história do diretor que, em 1986, assistiu a montagem de Augusto Boal estrelada por Fernanda Montenegro e, ali, decidiu enveredar pelas artes cênicas.

A obra, acusada de racismo na direção de Alvim, foi também a última a preservar o prestígio conquistado por Alvim frente à crítica e ao público. Em seu espetáculo seguinte, Todos que Caem (2019), de Samuel Beckett, encenado no Teatro do Sesc Campo Limpo, a crítica foi menos presente e o público escasso.

A temporada se encerrou em abril e, em julho, o diretor assumiu o cargo de Diretor de Artes Cênicas da FUNARTE, o que marcou, em suas palavras (em entrevista ao UOL), seu “suicídio artístico”. Bastaram quatro meses para que o diretor assumisse de vez a Secretaria Especial da Cultura no Governo de Jair Messias Bolsonaro.

Desde então, Alvim tem se envolvido em polêmicas graças a declarações que o afastaram da classe artística, entre elas a que lhe garantiu maior repercussão, ao ofender a atriz Fernanda Montenegro no ano em que a veterana completou 90 anos de idade. O diretor tem planos de montagens futuras, mas ainda não há notícias sobre qual linguagem adotará para os futuros espetáculos que, garante, assumirão um tom conservador.